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     O médico não sabia mais como ajudar e não disfarçava sua preocupação. A jovem repousava na cama, com a respiração pesada. A família estava ao redor, imaginando se algum dia a menina voltaria a abrir os olhos e a sorrir com seu jeito doce. Uma esperança que havia diminuído, conforme os dias passaram desde que a garota adoeceu.

     Naquele instante, ela não ouvia os lamentos da mãe nem via a expressão de dor do pai. Ela estava em um quarto escuro e vazio, e por mais espaçoso que este fosse, ela se via encurralada. Tayuchi-kun, Tayuchi-kun. Era seu único pensamento. Estava muito só. Tayuchi...

Então, ela reuniu suas últimas forças, e disse, em um sussurro:

     - Tayuchi-kun... desculpe...

     Os outros não ouviram bem e esperaram ela dizer mais alguma coisa. Nada. Os pais acharam que a fala havia sido algum progresso, porém, o doutor a examinou e só disse duas palavras para aquelas pessoas que a amavam tanto: sinto muito.



Prólogo



     - Are? Estou... caindo?

     Uma sensação estranhamente deliciosa de flutuar tomou conta da garota. Ela não entendia, mas também não fazia questão.

     - Voando...?

     Ela abriu os olhos e se viu diante de um magnífico castelo cor marfim. Mas só isso ela pôde distinguir, pois, segundos após, voltou a ressonar.



Capítulo 01 - Rabiscos de um Paraíso



"Atrás daquele imenso portão dourado, o Grande Caderno jazia sobre uma mesa de madeira. A brisa gentilmente folheou suas páginas, e o conto flutuava com suas asas suaves, como se dançasse a música... a doce melodia que os anjos tocavam para a ocasião."



     O vento carregava as folhas derrubadas pelo outono e as espalhavas cada vez mais, levando uma pequena folha avermelhada até os cabelos sedosos de um rapaz que dormia sob uma árvore. O sol ainda nem nascêra direito, e o clima trazia o sono.

     O jovem trajava roupas simples; uma blusa preta com detalhes brancos - que realçava sua corrente dourada em seu pulso - e uma calça jeans bastante velha. Seus tênis mostravam falta de dinheiro e longa jornada.

     -Aaaaaxl!

     O garoto, então, abriu um de seus olhos azuis e encontrou ao seu lado uma garota impaciente segurando uma bicicleta. Abrindo o outro olho para reconhecê-la melhor, sorriu.

     - Yo, Aine-kun. ^_^

     Aine ainda estava furiosa e tentava brigar com o rapaz que se levantava, ainda sorrindo.

     - ...bom dia, Axl... -disse ela, vencida pelo sorriso gentil do amigo. - Vamos logo, a sensei não vai nos perdoar se chegarmos tarde novamente. Ah, espera... O.o

     Ela retirou a folha dos cabelos castanhos de Axl e resmungou:

     - Mas como é que alguém consegue dormir tanto...? õ_o

     - Aine-kun, eu já disse que você não precisa me esperar para ir à academia. Não quero que me culpe sempre que chegar atrasada. xP

     - Até parece! O que você seria sem mim, heim? - disse rindo - Afinal, somos um grupo! ^__^

     Ele a encarou por alguns segundos e em seguida sorriu novamente.

     -Obrigado. ^_^

     Aine corou levemente.

     - Mas - disse Axl - não é um grupo completo sem a...

     - V-vamos logo! Ah, e vê se pára de me chamar de "Aine-kun"... eu prefiro "Aine-chan", mas pra você é "Aine-senpai"! Ai-ne-sen-pai! ò_o

     - Aine-kun... -Axl já se levantava.

     - Por que você nunca me escutaaa? @_@ - nesse momento, Aine percebeu uma expressão séria em Axl. - ...o-o que foi?

     - Tenho uma surpresa pra você! Feche os olhos por 5 segundos. ^o^

     A garota obedeceu, muito vermelha e tendo em mente mil possibilidades do que poderia ser. Menos uma...

     - Hoje EU vou com a bicicleta!

     Aine abriu os olhos e virou para trás. Axl estava montado na bicicleta um pouco longe de onde ela estava.

     - Aaaaaxl! A bicicleta é miiiinhaaaaa...! - gritou, enquanto corria atrás de Axl, que mostrava a língua e ria.

     Era uma manhã fria, apesar de ensolarada. O canto dos pássaros já tomava conta, acompanhado do som do córrego que passava próximo ao bosque. O céu estava limpo e já não se podia enxergar nenhuma estrela. E dois jovens pisavam as folhas caídas ao chão.

     Qualquer um poderia notar um dos fatores que caracterizava esses seres misteriosos: um par de pequenas e belas asas acinzentadas.



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